A história da cidade de Ubatuba, se confunde com a própria história do Brasil. Ao pé da serra do mar, a tricentenária Ubatuba foi palco de inúmeros fatos hitóricos. Foi cenário também de um dos mais importantes relatos do período pré-colonial, o do artlheiro alemão Hans Staden no livro "Duas viagens ao Brasil", quando ficou prisioneiro dos índios por vários meses. Os Tupinambás, habitantes originais da região, deram sua contribuição para o rico legado cultural da cidade. Suas casas - ou tabas - eram estratégicamente construídas em pontos altos nas margens dos rios. Exelentes canoeiros, eram capazes de construir embarcações de cedro para transportar até 30 pessoas. Também construiam flautas e tambores, para animar as frequentes festas de um povo alegre, amante da música e da dança. O cauim, bebida fermentada à base de mandioca, tinha presença obrigatória. Viviam em paz com os vizinhos de São Vicente, os Tupiniquins, até a chegada dos exploradores franceses e portugueses, em busca de mão-de-obra escrava. Incitados pelos europeus, as duas tribos passaram a guerrear. Mas logo se rebelaram contra o inimigo comum, formando a "Confederação dos Tamoios", ou, na linguagem da tribo, dos "mais antigos da terra", liderada pelo famoso cacique Cunhambebe.
A região conhecida como "Aldeia de Iperoig", foi o destino dos jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, que partiram de São Vicente para abafar o conflito. Anchieta acabou refém das tribos, desconfiadas das verdadeiras intenções portuguesas. Dizem os historiadores que nesta ocasião Anchieta escreveu os famosos versos do "Poema à Virgem", na areia da praia. O confronto só acabaria meses mais tarde, com o acordo conhecido como "A Paz de Iperoig". Os portugueses, de posse da região, fundaram, em 1637, a "Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba". Até 1787, a cidade prosperou graças aos engenhos de cana, serrarias, fornos de olaria, fazendas, pequenas indústrias e, sobretudo, ao porto que escoava a produção. Neste ano, o presidente da Província de São Paulo direciona as embarcações para o porto de Santos. A prosperidade só voltaria à Ubatuba em 1808, com a abertura dos portos ao comércio estrangeiro, quando a cidade passa a escoar toda a produção do Vale do Paraíba. Datam desta época os imensos casarões dos comerciantes locais, cenário histórico mais característico da cidade. A maioria seria demolida mais tarde, em nome do progresso. Outras crises se sucedem, com a construção da estrada de ferro D. Pedro II, ligando Rio de Janeiro à São Paulo, que desviou as exportações do porto de Ubatuba. A partir de 1952, no entanto, com a construção da rodovia SP 125, que liga Taubaté ao litoral e, mais tarde, da BR 101, mais conhecida como Rio-Santos, a cidade entra novamente no circuito do comércio e, sobretudo, do turismo. Hoje, ambas as rodovias contribuem para fazer de Ubatuba uma das mais badaladas praias do estado, que chega a ter uma população flutuante de 500 mil habitantes no auge da temporada. A beleza de suas 74 praias, faz de Ubatuba uma parada obrigatória no roteiro de férias.
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